domingo, 24 de junho de 2018

Sketch Tour Portugal - Dia 1

Um ano a desenhar Portugal. 24 desenhadores. Nacionais e internacionais.

A mim, calhou-me desenhar a linda ilha da Madeira, na companhia da Ea Ejersbo, da Dinamarca.
A Ea veio acompanhada pelo marido - um verdadeiro gentleman e uma pessoa muito bem humorada -  e com uma muleta. Umas semanas antes da viagem torceu o pé esquerdo.
"Como não foi nenhuma lesão da cintura para cima, não vi nenhum impedimento em cá vir! Portugal is amazing!" - disse-me ela com um enorme sorriso na cara!


27 de dezembro

Chegamos a Funchal depois de uma hora e meia de voo. Na capital ficou a chuva e o frio e na ilha fomos recebidos com um dia de sol quente que só a Madeira tem por esta altura do ano!


A nossa jornada de desenhos começou na Blandy's Wine Lodge, que, diga-se de passagem, foi uma bela forma de começar esta viagem!



No Restaurante Vila do Peixe, em Câmara de Lobos, é possível termos uma vista fantástica para a colina, enquanto nos deliciamos com uma variedade de peixes que vão chegando à mesa!
E quando um dos empregados nos pergunta se estamos satisfeitos, a nossa resposta foi uma só: FENOMENAL - a comida, a vista, o restaurante e o atendimento!

terça-feira, 12 de junho de 2018

10x10 na Comunidade de Emaús

Tema 10: Reportagem de grupo
Mário Linhares

Última sessão de 10 yearsx10 classes: um grande projecto internacional USK que decorreu em várias cidades do mundo! E Lisboa não foi a excepção! Com grandes formadores - Mário Linhares, Nélson Paciência, Pedro Loureiro, Guida Casella e José Louro - e excelentes exercícios de desenho!

Por aqui terminamos com que deu início a isto tudo!



A Comunidade de Emaús não dá preferência aos objectos expostos por longos corredores ao ar livre. Como também não dá importância à história que existe por trás de cada pessoa que por lá passa. Também não interessa saber o futuro que cada companheiro escolhe para si. Apenas se foca na pessoa. Aquela que procura estar e estar bem.
E assim também era o primeiro exercício proposto pelo Mário: desenhar em pequena escala os objectos na parte inferior da página e desenhar uma pessoa da Comunidade em escala maior na parte superior da página, dando-lhe assim a sua devida importância!



Este não é o resultado da proposta do segundo exercício, que seria fazer uma mancha com aguarela e depois desenhar com a caneta preta o edifício e, mais uma vez, pessoas em escala maior! Fiquei com o Matias (que entretanto adormeceu), e por isso tive o privilégio de apreciar esta vista. Estava limitada à escolha do ponto de vista e o facto de levar as páginas já com um fundo preparado não me dava margem para usar a aguarela!

segunda-feira, 11 de junho de 2018

10x10 no Mercado de Campo de Ourique

Tema 9: Mercado local = grandes profissões
Pedro Loureiro

Foi um dia difícil!
Lisboa estava caótica! Não sabemos bem o que terá acontecido, mas todas as entradas e saídas da capital estavam com trânsito! Carros parados por todo o lado! Chegámos atrasados à sessão! O formador mais atrasado chegou! Outros terão chegado ainda mais tarde! Mas ainda assim, tivemos tempo para desenhar!

Se não fosse esta sessão, provavelmente o Mercado não passaria de um mero local para sentar, comer e conviver! Todas as profissões e trabalhadores passariam-me despercebidos, como se fossem apenas pessoas que ali estivessem para servir! Este é um dos propósitos do desenho: aproximarmo-nos das pessoas e questionar o que nos rodeia!



A Esmeralda vende frutos secos. Só de ver as cores, não só apetece desenhar como consumir! A banca dela está sempre cheia de gente e ela só para de trabalhar para atender os clientes! A simpatia dela é atraente e contagiante! E assim completei o exercício proposto pelo Pedro: desenhar a profissional, o produto e o cliente! O ambiente facilitou-me o trabalho!



O Mercado tem restaurantes óptimos! Óptimos para desenhar e para consumir! Mas o ritmo é demasiado rápido para conseguir registar tudo no caderno! Desenhar quem prepara a comida, quem a serve, quem a come e quem limpa tudo no fim!

domingo, 10 de junho de 2018

Jardins Calouste Gulbenkian

Sempre que cá vimos os jardins estão sempre cheios de gente! Sobretudo em dias de calor! Não há muita sombra desocupada, por isso vamos invadindo o espaço um dos outros para nos protegermos do sol! Também serve de desculpa para aproximarmo-nos e conversarmos com desconhecidos!




Tantas pessoas paradas e ainda assim é difícil desenhá-las...

sábado, 9 de junho de 2018

10x10 no Mercado da Ribeira

Tema 8: Conversas estranhas por pessoas normais
Nélson Paciência

A partir das 18.00h o Mercado muda de imagem e de clientes! Fecham-se as bancas das flores, das carnes e dos peixes, dos legumes e das frutas e abrem-se as portas dos restaurantes, com boa comida e bom vinho. Os habituais clientes regressam à casa e chegam os turistas "aos molhos", ansiosos por descansar, provar a boa comida portuguesa e conviver pela noite fora.





























Primeiro exercício: simplificar a linguagem corporal.
Desenhar apenas o corpo humano visível (rosto, pescoço, braços e mãos) e excluir a roupa.
De simples não tem nada!




























Segundo exercício: desenhar as pessoas, contextualizar o ambiente e escutar as conversas. 
Isso significava aproximarmo-nos o mais possível das pessoas. Foi de tal modo que, de repente, já estava a beber vinho e a conviver eles!

sábado, 28 de abril de 2018

Hospital Egas Moniz

Há já muito tempo que aguardava por esta consulta: imunoalergologia. Durante a amamentação tive de tomar uns antibióticos (por causa da mastite) que me causaram alergias de tal gravidade que fui parar às urgências em menos de 24 horas!


O hospital é um espaço onde o tempo de espera (sendo ele curto ou longo) dura sempre uma eternidade! De tal modo que me foi possível criar histórias sobre as pessoas que por aqui andam: uns para serem atendidos, outros para acompanhar e alguns para visitar!


Desenho enquanto espero sentada pela reacção (ou não) do meu corpo aos antibióticos inseridos. Os utentes vão sendo chamados. Entram e voltam a sair. Esperam e desesperam. Vão e voltam.
A sala de espera é pequena e escura! Não há janelas aqui! É fácil observar de perto as pessoas e ver as suas rugas e os seus sinais, as suas histórias no seu olhar e quase que se sentem as suas dores!

10x10 no Largo do Martim Moniz

Tema 7: Entendamo-nos
José Louro

A culpa não é do Zé! E eu também não vim ao engano!
Ele explicou muito bem os exercícios, mas já é mais do que sabido do drama que é para mim desenhar o rosto e o corpo humano!


Observar as pessoas. O movimento dos seus corpos.
Identificar o Largo através das pessoas. Dar uma identidade a cada uma delas.


Face to face em meia hora e apenas com o uso da aguarela!

Não é para se ficar em pânico?

terça-feira, 24 de abril de 2018

Miradouro de São Pedro de Alcântara

Há obras em todo o lado da cidade! Sobretudo no lugares mais bonitos!


Está um lindo dia de calor! Só é pena a vedação que esconde toda a beleza de Lisboa debaixo deste maravilhoso céu azul!


Quando era pequenina, a minha mãe leva-nos a passear por Lisboa. Fazia questão que os nossos pés conhecessem a cidade quase ao pormenor! Ainda hoje gosto de caminhar pela nossa capital, sobretudo em dias de Verão, quando o Tejo reflecte a luz sobre a cidade, deixando-a resplandecente!


Os turistas quando aqui chegam, percebem que afinal, ainda não viram muito! Apontam em todas as direcções, contam histórias de quem já lá esteve, criam expectativas sobre os lugares, querem conhecer mais, experimentar mais, ver mais, mais , mais e mais!
E têm razão: é impossível fartarem-se de Lisboa!

10x10 no Miradouro da Nossa Senhora do Monte

Tema 6: Arranha-céus: olhando para longe e para baixo
Pedro Loureiro

Estava curiosa sobre esta sessão, pois Lisboa não é uma cidade com prédios suficientemente altos para serem considerados arranha-céus! E no meu imaginário (talvez influenciada pelos filmes americanos) esta sessão seria num edifício tão alto que nem atreveria em aproximar das janelas!!!
Como os edifícios altos de Lisboa não facilitam o acesso ao público, o Pedro arranjou outra alternativa: Miradouro da Nossa Senhora do Monte!
É impensável desenhar Lisboa que se estende à nossa frente, por isso, a palavra de ordem foi SIMPLIFICAR.


Simplificar na horizontal
Skyline de Lisboa "encaixada" numa dupla página.


Simplificar na vertical
Os meus olhos viajam por Lisboa, dos meus pés ao céu!


Simplificar Lisboa dos turistas
Lisboa é linda, para quem nela vive e para quem a visita.

domingo, 22 de abril de 2018

Praça da Figueira

São 09.23h e já se sente o movimento e o barulho a aumentar por aqui! Lisboetas a apressarem os passos para o trabalho, turistas a puxarem as malas de viagem pela calçada (perdidos com o mapa na mão), máquinas a trabalharem (há obras por todo o lado), táxis e autocarros a apitarem aos tuk-tuks...


Enquanto acontece a Feira dos Enchidos aqui ao lado, está a decorrer obras atrás de mim! Estão a restaurar mais um edifício. Para os turistas e não para os locais! O que é uma pena...

Em outros tempos, esta praça foi o sítio do Hospital de Todos-os-Santos, que com a destruição do terramoto de 1755 deixou de existir. Foi um mercado central, onde se podia comprar e vender o que se quisesse. Actualmente a praça serve de ponto de encontro, de descanso ou apenas para apreciar o castelo.


Quando era pequena, de vez em quando vinha para Lisboa com os meus pais. Aqui se encontravam com os amigos para saber de notícias da "terra". Enquanto eles conversavam, eu e os meus irmãos dávamos arroz aos pombos. Não tínhamos muitas preocupações nessa altura...

10x10 na Praça do Comércio

Tema 5: Estátuas e monumentos
Nélson Paciência

O II Simpósio Internacional do USK aconteceu aqui em Lisboa, em 2011. Tive a felicidade de conhecer muitos sketchers, nacionais e internacionais. Muitos deles passaram de "conhecidos" a amigos. Foi com eles que voltei a olhar o mundo numa outra perspectiva e a traduzi-lo para cadernos com uma liberdade de ver e sentir o que me rodeia!
Um dos momentos mais alto do "nosso simpósio" foi o último dia! Aqui nesta praça se reuniram mais de 200 sketchers. Estávamos todos sentados no chão, debaixo das arcadas da ala direita (para quem está virado para o Tejo). Foi um momento magnífico, impossível de ser apagado das nossas memórias!

Voltei à Praça do Comércio. Novamente sentada, mas não debaixo das tais arcadas. Mas perto delas o suficiente para me sentir incomodada com a voz que insiste em desafinar o musical do Fantasma da Ópera. Dói nos ouvidos e na alma!


Este primeiro exercício de cruzar a actual Praça do Comércio com o Terreiro do Paço de 1908 não correu muito bem... Podia culpar o cansaço e a voz desafinada que não se cala, mas a verdade é que a minha incapacidade em desenhar a arquitectura bloqueia-me qualquer exercício de desenho relacionado com o tema...


Hoje sinto-me especialmente cansada e por isso só me apetece dormir... mas o Fantasma da Ópera que hoje ecoa por aqui insiste em não desaparecer...
"Desenhem a estátua do D. José I e o arco lá ao fundo para contextualizarem a praça!", disse-nos o Nélson! Por isso coloquei-me numa perspectiva boa (pensei eu) para desenhar tudo! Mas não desenhei quase nada, apenas ficaram duas personagens laterais da estátua nas minhas duplas páginas... 

terça-feira, 11 de julho de 2017

Museu Arqueológico do Carmo

Estava um calor insuportável, por isso a opção em desenhar dentro de um museu foi a mais acertada! O Museu do Carmo não precisa de apresentações! Um espaço fantástico para apreciar o céu à noite e acolhedor para conhecer um pouco mais da história de Portugal através das peças do séc. XIV-XV que o museu ainda conserva.


Sentei-me perto de uma das colunas exteriores, à sombra para poder sentir um pouco de brisa. Ao meu lado estavam pequenas peças. 
Não estava interessa em desenhá-las, até começar o desenho. 


Desta vez tinha de colocar um mapa na dupla página. Não sabia qual e nem onde, mas estava decidida a fazer isso. Como não encontrei mapas históricos, optei por desenhar o mapa do espaço, apenas para ter uma ideia de como era a antiga Igreja do Convento de Santa Maria do Carmo.

10x10 no Teatro Romano

Tema 4: O edifício mais antigo da cidade
Guida Casella

Foi a pessoa certa para esta sessão. Muito apaixonada pela arqueologia e pelo desenho. O Teatro Romano foi o local escolhido para dar início ao segundo módulo: médias histórias. Antes dos exercícios tivemos uma visita guiada pela coordenadora do museu, a Lídia Fernandes, que gentilmente nos deixou circular à vontade pelas ruínas e pelo museu.


Fiquei entusiasmada quando soube que podíamos pisar na zona das ruínas, onde assentava a estrutura principal do teatro, ou seja, onde as pessoas se sentavam para assistir aos espectáculos que aí aconteciam. Como primeiro exercício, a proposta da Guida era desenhar de forma livre o que resta do teatro e criar mentalmente a sua estrutura inicial.


A proposta para o segundo exercício era muito desafiante: desenhar peças e mapas do museu de forma a criar um panfleto apelativo composto por desenhos e textos informativos sobre o Teatro Romano. Não consegui cumprir o exercício por não saber onde colocar os mapas nesta dupla página...

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Largo do Chiado

A melhor hora para se ir desenhar neste largo é entre as 8.00h e as 9.30h. Nessa hora só circula no largo quem vai trabalhar, portanto, há sempre um movimento de quem sabe de onde vem e para onde vai. Depois dessa hora aparecem os turistas "aos montes". Param. Olham. Tiram fotos.Conversam. Ficam indecisos se querem subir ou descer.


Enquanto que o Fernando Pessoa permanecia sentado na Brasileira com turistas à espera para tirar fotos à vez, já o poeta Chiado é desprezado pelo público. Raros eram aqueles que se aproximavam dele, a não ser um grupo de jovens que havia combinado o ponto de encontro aos pés do poeta. E enquanto isso, os músicos pedintes preparam a banda sonora que irá acompanhar o ritmo do largo ao longo do dia.


O largo é atraente em todos os lados: à esquerda e à direita, à frente e atrás e em cima e baixo. Todas a direcções completam o cenário do Largo. Uma das peças fundamentais do largo são os semáforos e o largo não é assim tão grande! Mas é muito movimentado, tanto pelos carros como pelas pessoas! É um stress quando fica vermelho! É uma ansiedade quando fica amarelo! E quando fica verde, toca a acelerar!

10x10 no Largo de São Domingos

Tema 3: Objectos do domínio público
Pedro Loureiro

Foi num dia de muito sol e muito calor que se fechou a última sessão do Primeiro Módulo (pequenas histórias) do 10x10. O largo é conhecido pelo Massacre aos Judeus em 1506, pela Igreja de São Domingos que não esconde as marcas do incêndio de 1959, pela célebre Ginginha (aberta desde 1840) sempre cheia de gente e pelo seu constante movimento de estrangeiros.


O primeiro exercício lançado pelo Pedro era simples: desenhar objectos do largo que tenham ou tivessem utilidade para o público em geral e fazer pequenas legendas, dando um verbo a cada um. Este é daqueles exercícios que nos obriga a parar, observar, desenhar e questionar sobre o que nos rodeia.


De todos os objectos desenhados no exercício anterior, escolher apenas um e analisá-lo factualmente: há quanto tempo está no largo? Qual a sua utilidade? Quem o usa? Como funciona? Pois claro que, no meio de tanta arquitectura e de tanta gente, optei pelo objecto mais fácil de desenhar para mim.


Pergunta principal para o terceiro exercício: qual a relação das pessoas com o objecto escolhido? Quando desenhei a oliveira já ninguém queria saber dela, pois à noite ela deixa de ser útil para os "habitantes" do largo. Mas anda assim, não me faltaram palavras para escrever sobre ela!

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Museu Bordalo Pinheiro

Não que estivesse à procura de um museu para continuar os exercícios propostos pelo Nélson Paciência. Calhou. E calhou bem: num dia em que o museu que serviu como espaço para o workshop do Rob Sketcherman, num dia em que se festejava o Dia dos Museus e num dia em que o calor exigiu que estivéssemos protegidos do sol.

O museu passa despercebido na estrada do Campo Grande. Só nos apercebemos dele se o procurarmos. Se não, é apenas uma bonita casa e discreta à beira da estrada. Mas procurem e entrem, pois vale a pena deliciarmos com a vida e a obra de Rafael Bordalo Pinheiro, uma das salientes figuras da cultura, política e arte lisboetas do século XX.


Fiquei atraída pelas peças em cerâmica que existem neste museu. A sala é pequena e, verdade seja dita, caímos na tentação de a visitar de uma forma rápida. Mas é preciso tempo para desenhar e nem uma tarde seria o suficiente para trazer todas as peças no nosso caderno!


Na verdade nem queria desenhar a Velha. Não pela peça em si, mas pela minha dificuldade em desenhar a figura humana! Mas enquanto dava voltas na sala (indecisa sobre a escolha de uma peça,) fui criando uma narrativa com ela e quanto mais peças sobressaiam aos meus olhos, mais a história ia crescendo! Não tive como fugir a isso! Trouxe a Velha e duas personagens do Rafael no meu caderno!

10x10 no Palácio da Ajuda

Tema 2: Objectos de museu
Nélson Paciência

Toda a sua arquitectura exterior pouco revela aquilo que o seu interior oferece aos seus visitantes. No cima da Tapada da Ajuda encontramos um Palácio, mas não como aqueles que viviam nos meus sonhos de criança ou contados pelos livros românticos.

É um edifício branco, erguido por ordem de D. José I, mas que só ganhou vida em 1862, com a subida ao trono e a chegada de D. Luís depois da morte do seu irmão (e de toda a família) no Palácio das Necessidades. Aos 23 anos o Rei D. Luís casa-se com a D. Maria Pia de Sabóia, de quem teve dois filhos: D. Carlos I de Portugal e D. Afonso, duque do Porto.

Nunca tinha estado num Palácio a sério, por isso fiquei bastante entusiasmada quando soube que a segunda sessão iria ser aqui! Afinal o que poderia correr mal num lugar tão mágico como este?


A proposta do Nélson para este primeiro exercício tinha o seu "quê" de engraçado: desenhar peças/mobília de uma das divisões do Palácio e escrever sobre elas como se estivéssemos a conversar com uma pessoa cega! Enquanto desenhava as peças imaginava como é que uma rainha adolescente, ainda com tanto para aprender, se comportaria num espaço como este! É claro que toda a descrição feita nestas páginas é consequência dessa imaginação!


No segundo exercício deveríamos ter escolhido uma divisão para desenhar e criar uma narrativa em que nós fôssemos uma das personagens da história ou apenas observadores invisíveis. Demorei imenso tempo para encontrar o lugar perfeito para desenhar, mas sobretudo para criar a narrativa. Não desenhei o espaço como o Nélson havia pedido. Apenas pequenas peças usadas pela Rainha no seu quotidiano nesta sala que lhe era tão especial por aqui ter nascido o seu primeiro filho.

Deliciei-me a compor estas duas duplas páginas. Se mais tempo me tivessem deixado ficar no Pálacio da Ajuda, mais páginas teria gasto (com todo o prazer) a desenhar, a imaginar, a escrever e a criar!

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Jardim do Campo Grande

Quando me inscrevo em algum workshop, é bom que as sessões (ou aquilo que aprendi), possam se desenvolver fora delas e que algo em mim se tenha transformado. Se não, é desperdício de tempo e de dinheiro!

Por isso decidi continuar os exercícios fora da redacção. Tenho mais objectos pessoais e existem diferentes ambientes para os colocar. Sim, aumentei o meu grau de dificuldade para poder exercitar aquilo que procuro encontrar no 10x10: transformar as páginas do meu caderno e ter uma liberdade incondicional para desenhar e escrever (mais) sobre os temas que nos são propostos.



Ainda a medo, mantive o mesmo objecto para descrever a minha relação com ela, desta vez um pouco mais pormenorizada. Arrisquei numa composição mais organizada, uma vez que tinha tempo para isso. E quis apostar no lettering! Sempre gostei de desenhar letras, mas a partir desta sessão decidi que devia criar um lettering próprio, fácil e rápido de se fazer.


Uma coisa é fazer os exercícios com um formador a direccionar-me para aquilo que se pretende. Outra coisa é fazer isso sozinha. É mais fácil fugir e criar outra coisa que não a proposta inicial. Mas aquilo que acho de mais fantástico é tentar perceber como é que posso adaptar (ou não) as novas aprendizagens àquilo que já me pertence e que já tenho!

10x10 na Redacçao do Diário de Notícias

Tema1: Objectos pessoais
Mário Linhares

Haveria melhor pessoa para iniciar o 10x10 em Lisboa? Não.
Haveria melhor local para a primeira sessão? Não.

Enchemos a redacção do Diário de Notícias (DN), um dos jornais mais populares do país. Éramos muitos, mas não o suficiente para distrairmos os jornalistas, que estavam concentrados com a chegada do Papa a Fátima, a participação do Salvador no Eurovisão e o final do campeonato.

Assim como todos os outros participantes, não sabia que propostas iriam ser colocadas pelo Mário. Mas estava ansiosa por começar, pois (a pedido dele) levava comigo um objecto que me é muito querido e também apetecível para se desenhar! Estava curiosa para perceber como é que iríamos fazer a ligação entre o nosso objecto e o DN.


A Marina Almeida (jornalista) guiou-nos pelo open space da redacção e deu algumas dicas de como se deve formar o corpo de uma notícia, partilhando connosco a sua experiência em campo. O que ver, o que escutar, o que apontar, como se aproximar, como descrever o cheiro, o toque e o ambiente. Nós, desenhadores, fazemos tudo através do desenho. Eles, jornalistas, fazem tudo através das palavras. Como misturar tudo isso nos nossos cadernos? 
Para nos facilitar o trabalho, o Mário mostrou-nos exemplos de páginas de cadernos seus: pareciam artigos escritos e desenhados à mão. O corpo da notícia, com títulos chamativos, estava organizado em caixas e entrava pelo desenho adentro de forma tão natural que parecia fácil de se fazer!


O traço fluiu-me facilmente quando desenhei o meu objecto. É meu. Conheço todos os seus pormenores e sei o que valeria a pena desenhar ou não. No segundo exercício tivemos de trocá-lo com outra pessoa. E como se não bastasse, tivemos de o desenhar no ambiente da redacção e criar um artigo que ligasse os dois desenhos! O que poderia ter uma medalha de Santa Verónica a ver com o open space de um jornal? Levei imenso tempo a compor a página por não saber como fazer essa ligação em tão pouco tempo…

terça-feira, 23 de maio de 2017


Esta é uma ideia que já borbulhava há muito tempo na cabeça do Mário Linhares. Há uns anos atrás conversávamos sobre como se poderia entrelaçar as palavras com o que vemos e o que desenhamos. Ao folharmos um caderno do Mário, rapidamente nos apercebemos que a ideia sempre esteve presente nas suas páginas, nas letras desenhadas que sobrepõem os desenhos e que partilham histórias ou reflexões. É uma delícia ver toda a organização (por vezes desorganizada) das palavras a invadirem o desenho, transformando as páginas num encontro caótico entre o que os olhos querem ver e o que a boca quer verbalizar. Sempre invejei essa capacidade de quem consegue parar, desenhar, reflectir e escrever de forma tão imediata.

Finalmente chegou o momento certo: o aniversário dos 10 anos de existência dos USK. Uma excelente desculpa para a ideia explodir por todos os lados! A explosão atingiu os 5 continentes, chegando a 28 cidades. Chegou a Seattle, a Los Angeles, a Évora, a Madrid, a Frankfurt, a Hong Kong,a Johannesburg, a Surabay e a outras cidades onde existem desenhadores com vontade de contar histórias sobre elas através dos desenhos. Sejam eles profissionais ou inexperientes. Qualquer que seja a técnica. Todos são bem-vindos.

Portugal não poderia ficar fora destes festejos! E muito menos Lisboa! Por me sentir inteiramente orgulhosa da pessoa que arquitectou todo este programa, fiz questão de me inscrever nas 10 classes! Já começou e a ver pelo andamento da carruagem, por aqui a coisa promete!

Que sorte a minha em partilhar uma vida e vários sonhos com o Mário!