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quarta-feira, 26 de junho de 2019

Mandamento novo

Para além de não conseguir aplicar de forma correcta as dimensões de um rosto, eis o meu drama em desenhar face to face:

1. parar, olhá-lo de perto e ter tempo para estar
2. perceber os pormenores
3. aceitar o que vejo
4. colocar no desenho o que realmente vejo e não o que quero ver
5. deixar que o outro siga as etapas anteriores enquanto me desenha









"Dou-vos o mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, que também vós vos ameis uns aos outros."
Jo 13, 33-35

sábado, 22 de junho de 2019

Agapâs me - Filô se

É grego. É o amor no grau superlativo.
É o amor que pede sacrifício, não só do corpo, mas também da alma.

Fomos ao Museu dos Missionários Combonianos. Tinham, sobretudo, peças africanas que os missionários enviavam ou traziam no seu regresso a casa. Quisemos "trazer" nas nossas páginas o máximo possível. O tempo poderia ser curto. O cansaço maior ainda. Mas a vontade permanecia: desenhar todas as peças que estavam expostas. Até ao último minuto.




"Pedro ficou triste por Jesus lhe ter perguntado à terceira vez: 'Tu és deveras meu amigo?' Mas respondeu-lhe: 'Senhor, tu sabes tudo; tu bem sabes que eu sou deveras teu amigo!' E Jesus disse-lhe: 'Apascenta as minhas ovelhas.'"
Jo 21, 15-17

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Amor

Tão simples e tão complexo!
Tão fácil e tão difícil!
Tão claro e tão escuro!
Tão estável e sempre em mudança!
Mas só o pode ser se for livre. Em todas as suas circunstâncias!


"No final da dança, tentarei tocar a sua mão, para assim purificar a minha. Meu coração amou até agora? Não, juram os meus olhos. Até esta noite eu não conhecia a verdadeira beleza."
William Shakespeare, Romeu e Julieta (séc. XVI)

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Descida

Descemos das montanhas e fomos até Bréscia!

Subir é um exercício físico no qual devemos controlar a nossa respiração e o ritmo dos nosso passos.
Descer é sentir os músculos do corpo quererem acelerar os pés por saber que, ao regressar ao ponto de partida podemos descansar. Aproximamo-nos do conhecido e perdemos o controlo sobre tudo o que víamos de cima. Vivemos com mais intensidade, sem saber o que virá depois...





"Não saber orientar-se numa cidade não quer dizer muito. Mas extraviar-se nela, como se extravia numa floresta, é algo que se deve aprender completamente. Porque os nomes das ruas devem soar ao ouvido do errabundo como o ranger de ramos secos, e as vielas internas devem refletir-se para ele tão nitidamente como os passos de montanha."
Walter Benjamim

domingo, 19 de maio de 2019

A montanha interior

A montanha à minha frente tirava-me o ar! Apresentava-se sempre como um desafio diante de mim. Tentar perceber as suas curvas, as suas sombras, os seus contornos. Sempre em constante mudança. Petrificou-se ali. Sem regras e sem tempo. A chuva, o frio, o vento, o gelo, a neve, o sol e as nuvens vão-lhe moldando os contornos e sem qualquer aviso prévio, ela revelava lugares de beleza que me faziam querer contemplá-la. Apenas parar e olhar!






"Não saias para fora de ti, retorna a ti mesmo, porque a verdade habita no homem interior."
Santo Agostinho

quinta-feira, 16 de maio de 2019

O horizonte

Limone, a cidade escolhida para este ano. Localizada no norte de Itália, rodeada de montanhas e embelezada pelo Lago di Garda. Um lugar que nos desafia a descansar, a reflectir e a sonhar.

Subimos à montanha na manhã seguinte à nossa chegada. Cada um com o seu passo, ao seu ritmo. O nosso era marcado pelo Matias. Ora aos saltos, por vezes mais lento, muitas vezes a puxá-lo, mas sempre a subir com os seus próprios pés. Parámos onde quisemos. Não pelo cansaço, mas pela vontade de desenhar a imensidão diante dos nossos olhos.

Enquanto subia a montanha ansiava por ver a cidade de cima. Cada vez que subia mais havia a estranha sensação de controlar o que se via de cima e a distância que me afastava cada vez mais desse controlo...









"Aspirai às coisas do alto e não às coisas da terra."
Cl 3,2

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

O grão

"Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto."
Jo 12, 24


Basílica de Santa Croce.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Não vos assusteis

"Entretanto, no sepulcro, viram um jovem sentado à direita, vestido com uma túnica branca, e ficaram assustadas. Ele disse-lhes: 'Não vos assusteis! Buscais a Jesus de Nazaré, o crucificado? Ressuscitou: não está aqui."
Mc 16, 5-6


Vida. Presença. Pessoas.

domingo, 2 de dezembro de 2018

Paixão. Incompreensão. Fragmento.

"Levan escolheu como epígrafe este pequeno poema de Antoine Tudal:

'Entre o homem e a mulher
há o amor.
Entre o homem e o amor
há o mundo.
Entre o homem e o mundo
há uma parede.'

Fê-la para recordar que no amor está sempre em jogo um obstáculo, um afastamento, uma distância irrecuperável - uma parede, justamente. [...] E acaba a explicar por que motivo devemos aceitar falar para as paredes: contra elas, a voz do amor ressoa."
José Tolentino Mendonça, O pequeno caminho das grandes perguntas




Praça Miguel Ângelo.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Resplandecência

"Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado num alto do monte e transfigurou-se diante deles."
Mc 9, 2


Loggia dei Lanzi (Praça della Signoria).

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Limpeza. Água. Humildade

"Onde existe o ser humano, existem a memória e a paixão da viagem. O escritor Paul Bowles dizia que o turista e o viajante se distinguem pela experiência que fazem do tempo, apressada a o turista, lenta a do viajante."
José Tolentino Mendonça, O pequeno caminho das grandes perguntas




Deambulando por Florença.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Deserto. Escolhas. Divisões.

"Leveza, simetria, simplicidade: o estilo do artista (Brunelleschi, 1419) é reconhecível à primeira vista. A distância entre cada coluna equivale à sua altura e profundidade formando, assim, cubos perfeitos, encimados por abóbadas que formam arcos."




Praça da Santíssima Annunciata.

sábado, 24 de novembro de 2018

Apresentação

Florença. O local escolhido para desenhar, reflectir e descansar.


"Quando Ele chegou aos 12 anos, subiram até lá, segundo o costume da festa. Terminados esses dias, regressaram a casa e o menino ficou em Jerusalém, sem que os pais soubessem."
Lc 2, 42-43


segunda-feira, 22 de maio de 2017

Avaliação


E assim nos despedimos de Assis

Quando iniciamos o retiro, a proposta de apresentação foi copiar o Cristo Redentor apenas com uma linha e pintá-lo. Agora, como proposta de fecho do retiro, copiamos a imagem de S. Francisco de Assis, o único desenho feito com ele ainda vivo e por isso, talvez a mais bonita de todas. E assim nos despedimos de Assis, apenas com a linha preta, para que a cor se vá construindo nos dias que se seguem, já em terras portuguesa.

Fiz a cópia duas vezes porque a primeira tentativa não correu bem! Apercebi-me que tenho mais dificuldades em copiar um desenho do que desenhar “à vista”!



terça-feira, 2 de maio de 2017

A Simplicidade e a Regra

Tema 6: A Simplicidade

Para mim, o tema mais difícil deste retiro! Simplicidade! É deixar tudo e ser pobre? É ter o suficiente para ser feliz? E o que é suficiente? É partilhar o que se tem? É pedir e dar aos outros? É saber aceitar o que se tem? 

Mancha, linha e ponto. Passado, presente e futuro. Tudo isto revelado no nosso caderno. 

Estava acompanhada pelo Mário, pelo Matias (que estava em dia de birra) e pelo Miguel. Fomos juntos à missa de Ramos na igreja de Santa Maria Maior, onde S. Francisco vivia com os pais. Enquanto o Matias se acalmava a comer frutos secos nós desenhávamos.
O pai de Francisco tinha uma personalidade agressiva e ficou bastante revoltado com a opção do filho. Já a sua mãe (Donna Pica) era mais compreensiva e pacificadora.


Quando se sobe a caminho da Rocca Maggiore, para além da paisagem incrível que nos rodeia, também é possível encontrar pequenas ruas em que as portas quase se tocam uma nas outras. Os vizinhos falam de uma janela para a outra com uma distância de 5 passos. Os carros têm imensas dificuldades em fazer curvas mas ninguém fica stressado! Coisas típicas de pequenas aldeias! E o Matias dorme no carrinho ao meu lado, enquanto o Mário continuou até à Rocca Maggiore. Eu fiquei a meio caminho, atraída pela ambiente! 


Sabia que mais tarde ou mais cedo iria desenhar estes vales e árvores e telhados! Estava sentada no chão, sem o marido e sem o filho! Apenas com o caderno, o aparo e a tinta da china. Sem pressa e com simplicidade.

 

Tema 7: a Regra

Esta proposta era simples: criar um padrão e ao mesmo tempo ter um pouco de cada participante nos nossos cadernos. Como? Eu começo o padrão utilizando a cor que mais gosto (utilizando a caixa de aguarelas) e depois o caderno vai passando para a pessoa do nosso lado esquerdo. Utilizamos sempre a mesma cor nos cadernos dos outros, seguindo o padrão já criado. Depois do padrão feito, como desenhar por cima? O que fazer com as manchas? Como respeitar (ou não) as regras?


No meu caderno criei o quadrado roxo com um espaço branco no interior (segundo quadrado da primeira fila). E esse seria o ponto de partida para criar o padrão. Acontece que o meu vizinho do lado esquerdo resolveu fazer um quadrado completamente verde! O que me chateou, pois quebrou a “minha” regra logo no início! Foi o único que se desviou da “minha” regra e por isso foi o único quadrado que ficou fora da linha preta, enquanto todos os outros se encontram dentro ou tocam ao de leve na linha. 

Sim, tenho mau feitio!

terça-feira, 25 de abril de 2017

Pobreza e Oferta


Tema 4: Pobreza

Uma coisa é deixar toda a riqueza de lado. Uma coisa é optar por uma vida mais pobre. Mas fazer tudo isso e depois ir mendigar aos ricos é outra coisa! Francisco não só fazia isso como também roubava homens feitos e moços ao aconchego da família. Certamente este homem teria algo de inexplicável para que outros o pudessem seguir, sobretudo os mais ricos! Tinha uma vida de pobreza extrema, andava descalço, só tinha o hábito em cima do corpo e falava com a natureza (animais, plantas, árvores, sol, a lua, vento, etc)! Como poderia ser uma pessoa “atraente” aos olhos dos outros?

De manhã saímos do nosso quartel-general apenas com o caderno na mão. Sem canetas, sem pincéis, sem lápis ou se quer sem borracha! Nada! Apenas com o caderno na mão. O destino seria a igreja de Santa Clara e a igreja de S. Damião e pelo caminho teríamos de “mendigar” um material riscador a alguém de Assis. Sim, mendigar, disse o Mário!

Optamos em ir primeiro ao lugar mais afastado do centro, mas também o mais bonito: a igreja de S. Damião. O caminho até lá é sempre a descer. A descer a pico. Nós os 3, o carrinho do Matias, o Rui, o Arthur, a Estela e a Alice. Pelo caminho, entre selfies e risadas, deparamo-nos com a beleza e a simplicidade que rodeia a igreja de S. Damião: tudo verde e um silêncio imenso! Inspirada por este ambiente, resolvi criar na minha cabeça um conceito para estas duplas páginas: relacionar a pobreza de S. Francisco com a natureza em que a lua/noite/negro fizessem contraste com o sol/dia/branco. Por falta de tempo, fiquei apenas com a pobreza e a natureza de S. Francisco.



O caminho de regresso foi o mesmo: sempre a pico! E o Matias que caminhava ao meu lado, gritava "força, pai", enquanto o Mário empurrava o carrinho debaixo de um calor abrasador!

 Tema 5: Oferta

Quando se pensava que a generosidade do Mário ficaria apenas na multiplicação do grafite, eis que surge outra oferta: cada um de nós recebeu duas paletes de aguarelas impressas (ainda não comercializados no mercado). Como as utilizar? Cada um iria descobrir por si! Depois de uma manhã a mendigar por um material riscador, este presente foi bem merecido! 

Fomos juntos em direcção da Basílica de S. Francisco que possuí dois pisos. No primeiro piso desenharíamos com aguarelas impressas de forma livre e no segundo piso o objectivo seria desenhar um dos fresco de Giotto (nome que só conhecia como marca de plasticina para crianças)!
Os tectos desta Basílica são uma coisa extraordinária! Assim que entrei na Basílica soube de imediato que não deveria desenhá-los e que caso me arriscasse nisso as páginas iriam ficar um horror! Dito e feito! Por isso, nada como a escrita (bem ou mal) para “enganar-me” os olhos! Mas os 28 frescos do Giotto no piso superior que contam a história de S. Francisco também são de tirar a respiração a qualquer pessoa!





O único lado negativo da Basílica (especificamente do piso superior) são as pessoas que lá trabalham, que com a sua antipatia e agressividade nas palavras não fazem justiça ao espaço de culto e nem às obras que se encontram expostas nas paredes deste lugar.