terça-feira, 23 de maio de 2017


Esta é uma ideia que já borbulhava há muito tempo na cabeça do Mário Linhares. Há uns anos atrás conversávamos sobre como se poderia entrelaçar as palavras com o que vemos e o que desenhamos. Ao folharmos um caderno do Mário, rapidamente nos apercebemos que a ideia sempre esteve presente nas suas páginas, nas letras desenhadas que sobrepõem os desenhos e que partilham histórias ou reflexões. É uma delícia ver toda a organização (por vezes desorganizada) das palavras a invadirem o desenho, transformando as páginas num encontro caótico entre o que os olhos querem ver e o que a boca quer verbalizar. Sempre invejei essa capacidade de quem consegue parar, desenhar, reflectir e escrever de forma tão imediata.

Finalmente chegou o momento certo: o aniversário dos 10 anos de existência dos USK. Uma excelente desculpa para a ideia explodir por todos os lados! A explosão atingiu os 5 continentes, chegando a 28 cidades. Chegou a Seattle, a Los Angeles, a Évora, a Madrid, a Frankfurt, a Hong Kong,a Johannesburg, a Surabay e a outras cidades onde existem desenhadores com vontade de contar histórias sobre elas através dos desenhos. Sejam eles profissionais ou inexperientes. Qualquer que seja a técnica. Todos são bem-vindos.

Portugal não poderia ficar fora destes festejos! E muito menos Lisboa! Por me sentir inteiramente orgulhosa da pessoa que arquitectou todo este programa, fiz questão de me inscrever nas 10 classes! Já começou e a ver pelo andamento da carruagem, por aqui a coisa promete!

Que sorte a minha em partilhar uma vida e vários sonhos com o Mário!

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Avaliação


E assim nos despedimos de Assis

Quando iniciamos o retiro, a proposta de apresentação foi copiar o Cristo Redentor apenas com uma linha e pintá-lo. Agora, como proposta de fecho do retiro, copiamos a imagem de S. Francisco de Assis, o único desenho feito com ele ainda vivo e por isso, talvez a mais bonita de todas. E assim nos despedimos de Assis, apenas com a linha preta, para que a cor se vá construindo nos dias que se seguem, já em terras portuguesa.

Fiz a cópia duas vezes porque a primeira tentativa não correu bem! Apercebi-me que tenho mais dificuldades em copiar um desenho do que desenhar “à vista”!



terça-feira, 2 de maio de 2017

A Simplicidade e a Regra

Tema 6: A Simplicidade

Para mim, o tema mais difícil deste retiro! Simplicidade! É deixar tudo e ser pobre? É ter o suficiente para ser feliz? E o que é suficiente? É partilhar o que se tem? É pedir e dar aos outros? É saber aceitar o que se tem? 

Mancha, linha e ponto. Passado, presente e futuro. Tudo isto revelado no nosso caderno. 

Estava acompanhada pelo Mário, pelo Matias (que estava em dia de birra) e pelo Miguel. Fomos juntos à missa de Ramos na igreja de Santa Maria Maior, onde S. Francisco vivia com os pais. Enquanto o Matias se acalmava a comer frutos secos nós desenhávamos.
O pai de Francisco tinha uma personalidade agressiva e ficou bastante revoltado com a opção do filho. Já a sua mãe (Donna Pica) era mais compreensiva e pacificadora. 
 
 

Quando se sobe a caminho da Rocca Maggiore, para além da paisagem incrível que nos rodeia, também é possível encontrar pequenas ruas em que as portas quase se tocam uma nas outras. Os vizinhos falam de uma janela para a outra com uma distância de 5 passos. Os carros têm imensas dificuldades em fazer curvas mas ninguém fica stressado! Coisas típicas de pequenas aldeias! E o Matias dorme no carrinho ao meu lado, enquanto o Mário continuou até à Rocca Maggiore. Eu fiquei a meio caminho, atraída pela ambiente! 


Sabia que mais tarde ou mais cedo iria desenhar estes vales e árvores e telhados! Estava sentada no chão, sem o marido e sem o filho! Apenas com o caderno, o aparo e a tinta da china. Sem pressa e com simplicidade.

 

Tema 7: a Regra

Esta proposta era simples: criar um padrão e ao mesmo tempo ter um pouco de cada participante nos nossos cadernos. Como? Eu começo o padrão utilizando a cor que mais gosto (utilizando a caixa de aguarelas) e depois o caderno vai passando para a pessoa do nosso lado esquerdo. Utilizamos sempre a mesma cor nos cadernos dos outros, seguindo o padrão já criado. Depois do padrão feito, como desenhar por cima? O que fazer com as manchas? Como respeitar (ou não) as regras?


No meu caderno criei o quadrado roxo com um espaço branco no interior (segundo quadrado da primeira fila). E esse seria o ponto de partida para criar o padrão. Acontece que o meu vizinho do lado esquerdo resolveu fazer um quadrado completamente verde! O que me chateou, pois quebrou a “minha” regra logo no início! Foi o único que se desviou da “minha” regra e por isso foi o único quadrado que ficou fora da linha preta, enquanto todos os outros se encontram dentro ou tocam ao de leve na linha. 
Sim, tenho mau feitio!