sexta-feira, 26 de maio de 2017

Fora do Palácio da Ajuda

No Museu Bordalo Pinheiro

Não que estivesse à procura de um museu para continuar os exercícios propostos pelo Nélson Paciência. Calhou. E calhou bem: num dia em que o museu que serviu como espaço para o workshop do Rob Sketcherman, num dia em que se festejava o Dia dos Museus e num dia em que o calor exigiu que estivéssemos protegidos do sol.

O museu passa despercebido na estrada do Campo Grande. Só nos apercebemos dele se o procurarmos. Se não, é apenas uma bonita casa e discreta à beira da estrada. Mas procurem e entrem, pois vale a pena deliciarmos com a vida e a obra de Rafael Bordalo Pinheiro, uma das salientes figuras da cultura, política e arte lisboetas do século XX.


Fiquei atraída pelas peças em cerâmica que existem neste museu. A sala é pequena e, verdade seja dita, caímos na tentação de a visitar de uma forma rápida. Mas é preciso tempo para desenhar e nem uma tarde seria o suficiente para trazer todas as peças no nosso caderno!


Na verdade nem queria desenhar a Velha. Não pela peça em si, mas pela minha dificuldade em desenhar a figura humana! Mas enquanto dava voltas na sala (indecisa sobre a escolha de uma peça,) fui criando uma narrativa com ela e quanto mais peças sobressaiam aos meus olhos, mais a história ia crescendo! Não tive como fugir a isso! Trouxe a Velha e duas personagens do Rafael no meu caderno!

10x10 no Palácio da Ajuda

Tema 2: Objectos de museu
Nélson Paciência

Toda a sua arquitectura exterior pouco revela aquilo que o seu interior oferece aos seus visitantes. No cima da Tapada da Ajuda encontramos um Palácio, mas não como aqueles que viviam nos meus sonhos de criança ou contados pelos livros românticos.

É um edifício branco, erguido por ordem de D. José I, mas que só ganhou vida em 1862, com a subida ao trono e a chegada de D. Luís depois da morte do seu irmão (e de toda a família) no Palácio das Necessidades. Aos 23 anos o Rei D. Luís casa-se com a D. Maria Pia de Sabóia, de quem teve dois filhos: D. Carlos I de Portugal e D. Afonso, duque do Porto.

Nunca tinha estado num Palácio a sério, por isso fiquei bastante entusiasmada quando soube que a segunda sessão iria ser aqui! Afinal o que poderia correr mal num lugar tão mágico como este?


A proposta do Nélson para este primeiro exercício tinha o seu "quê" de engraçado: desenhar peças/mobília de uma das divisões do Palácio e escrever sobre elas como se estivéssemos a conversar com uma pessoa cega! Enquanto desenhava as peças imaginava como é que uma rainha adolescente, ainda com tanto para aprender, se comportaria num espaço como este! É claro que toda a descrição feita nestas páginas é consequência dessa imaginação!


No segundo exercício deveríamos ter escolhido uma divisão para desenhar e criar uma narrativa em que nós fôssemos uma das personagens da história ou apenas observadores invisíveis. Demorei imenso tempo para encontrar o lugar perfeito para desenhar, mas sobretudo para criar a narrativa. Não desenhei o espaço como o Nélson havia pedido. Apenas pequenas peças usadas pela Rainha no seu quotidiano nesta sala que lhe era tão especial por aqui ter nascido o seu primeiro filho.

Deliciei-me a compor estas duas duplas páginas. Se mais tempo me tivessem deixado ficar no Pálacio da Ajuda, mais páginas teria gasto (com todo o prazer) a desenhar, a imaginar, a escrever e a criar!

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Fora da Redacção do DN

No Jardim do Campo Grande

Quando me inscrevo em algum workshop, é bom que as sessões (ou aquilo que aprendi), possam se desenvolver fora delas e que algo em mim se tenha transformado. Se não, é desperdício de tempo e de dinheiro!

Por isso decidi continuar os exercícios fora da redacção. Tenho mais objectos pessoais e existem diferentes ambientes para os colocar. Sim, aumentei o meu grau de dificuldade para poder exercitar aquilo que procuro encontrar no 10x10: transformar as páginas do meu caderno e ter uma liberdade incondicional para desenhar e escrever (mais) sobre os temas que nos são propostos.


Ainda a medo, mantive o mesmo objecto para descrever a minha relação com ela, desta vez um pouco mais pormenorizada. Arrisquei numa composição mais organizada, uma vez que tinha tempo para isso. E quis apostar no lettering! Sempre gostei de desenhar letras, mas a partir desta sessão decidi que devia criar um lettering próprio, fácil e rápido de se fazer.

Uma coisa é fazer os exercícios com um formador a direccionar-me para aquilo que se pretende. Outra coisa é fazer isso sozinha. É mais fácil fugir e criar outra coisa que não a proposta inicial. Mas aquilo que acho de mais fantástico é tentar perceber como é que posso adaptar (ou não) as novas aprendizagens àquilo que já me pertence e que já tenho!

10x10 na Redacçao do Diário de Notícias

Tema1: Objectos pessoais
Mário Linhares

Haveria melhor pessoa para iniciar o 10x10 em Lisboa? Não.
Haveria melhor local para a primeira sessão? Não.

Enchemos a redacção do Diário de Notícias (DN), um dos jornais mais populares do país. Éramos muitos, mas não o suficiente para distrairmos os jornalistas, que estavam concentrados com a chegada do Papa a Fátima, a participação do Salvador no Eurovisão e o final do campeonato.

Assim como todos os outros participantes, não sabia que propostas iriam ser colocadas pelo Mário. Mas estava ansiosa por começar, pois (a pedido dele) levava comigo um objecto que me é muito querido e também apetecível para se desenhar! Estava curiosa para perceber como é que iríamos fazer a ligação entre o nosso objecto e o DN.


A Marina Almeida (jornalista) guiou-nos pelo open space da redacção e deu algumas dicas de como se deve formar o corpo de uma notícia, partilhando connosco a sua experiência em campo. O que ver, o que escutar, o que apontar, como se aproximar, como descrever o cheiro, o toque e o ambiente. Nós, desenhadores, fazemos tudo através do desenho. Eles, jornalistas, fazem tudo através das palavras. Como misturar tudo isso nos nossos cadernos? 
Para nos facilitar o trabalho, o Mário mostrou-nos exemplos de páginas de cadernos seus: pareciam artigos escritos e desenhados à mão. O corpo da notícia, com títulos chamativos, estava organizado em caixas e entrava pelo desenho adentro de forma tão natural que parecia fácil de se fazer!


O traço fluiu-me facilmente quando desenhei o meu objecto. É meu. Conheço todos os seus pormenores e sei o que valeria a pena desenhar ou não. No segundo exercício tivemos de trocá-lo com outra pessoa. E como se não bastasse, tivemos de o desenhar no ambiente da redacção e criar um artigo que ligasse os dois desenhos! O que poderia ter uma medalha de Santa Verónica a ver com o open space de um jornal? Levei imenso tempo a compor a página por não saber como fazer essa ligação em tão pouco tempo…

terça-feira, 23 de maio de 2017


Esta é uma ideia que já borbulhava há muito tempo na cabeça do Mário Linhares. Há uns anos atrás conversávamos sobre como se poderia entrelaçar as palavras com o que vemos e o que desenhamos. Ao folharmos um caderno do Mário, rapidamente nos apercebemos que a ideia sempre esteve presente nas suas páginas, nas letras desenhadas que sobrepõem os desenhos e que partilham histórias ou reflexões. É uma delícia ver toda a organização (por vezes desorganizada) das palavras a invadirem o desenho, transformando as páginas num encontro caótico entre o que os olhos querem ver e o que a boca quer verbalizar. Sempre invejei essa capacidade de quem consegue parar, desenhar, reflectir e escrever de forma tão imediata.

Finalmente chegou o momento certo: o aniversário dos 10 anos de existência dos USK. Uma excelente desculpa para a ideia explodir por todos os lados! A explosão atingiu os 5 continentes, chegando a 28 cidades. Chegou a Seattle, a Los Angeles, a Évora, a Madrid, a Frankfurt, a Hong Kong,a Johannesburg, a Surabay e a outras cidades onde existem desenhadores com vontade de contar histórias sobre elas através dos desenhos. Sejam eles profissionais ou inexperientes. Qualquer que seja a técnica. Todos são bem-vindos.

Portugal não poderia ficar fora destes festejos! E muito menos Lisboa! Por me sentir inteiramente orgulhosa da pessoa que arquitectou todo este programa, fiz questão de me inscrever nas 10 classes! Já começou e a ver pelo andamento da carruagem, por aqui a coisa promete!

Que sorte a minha em partilhar uma vida e vários sonhos com o Mário!